Michael W.

1238817_10201077457792025_612050139_n   Michael W.

Gosto de muitas coisas. De tantas coisas, aliás, que transmito a impressão de não gostar de nada. Uma vez fizeram-me uma crítica sobre este tipo de eclectismo. Não me recordo bem, mas tinha qualquer coisa a ver com o “não assumir de uma posição”. “Disparates”, pensei eu. Numa noite, apetece o Live at Wembley dos Queen ou os Concertos de Brandenburgo de Bach. No dia seguinte, prefiro o black-metal de Carach Angren. Mas numa viagem com o meu irmão, aprecio um Nelson Freitas cabo-verdiano ou a electro-extravagância de Savant. Gosto de literatura alemã do início do século, de filmes de terror e de ficção-científica, de um groove entre bateria e baixo em métricas complexas, e assim por diante.
Confesso que não gostava de vinho. A primeira experiência foi amarga, literalmente. Mas depois provei um Porto num Natal qualquer, enquanto jogava xadrez com alguém. Recordo-me do cheiro doce e perfumado, quente, ligeiramente alcoólico no início. Uma sensação agradável. Mais tarde, e através da minha mulher, aprendi a gostar de vinho, e a compreender as suas vicissitudes. Continuo sem saber distinguir castas através do paladar, e isso deixo-o para quem sabe. Mas dão-me particular prazer as sensações que lhe estão associadas. Aprendi que no vinho, tal como na música, não é só a casta, a colheita ou o enólogo. É o momento, o prato que acompanha, as pessoas presentes, ou ausentes.

 

I like many things. In fact, so many things that I cause the impression of not being able to enjoy anything. I was once criticized about this sort of eclecticism. I can’t recall precisely what was said, but it had something to do with “not assuming a position”. “Nonsense”, I thought. One evening, I fancy the Live at Wembley by Queen or the Brandenburg Concerts from Bach. The next day, I feel more inclined to the black metal of Carach Angren. On a road trip with my brother, I can appreciate the cape-verdean music of Nelson Freitas or the electro-extravanganza of Savant. I love german literature from the beginning of the XX century, horror and sci-fi films, a groove between drum and bass in complex metrics, and so on.
I must confess that I didn’t enjoy at all the taste of wine. My first experience was literally bitter. But on a christmas party, while playing chess with someone, I tasted a Porto wine. I recall it was sweet, warm fragrancy, slightly alcoholic at first. It was a pleasant sensation. Later on, and with the help of my wife, I started to enjoy the taste of wine, and could understand some of its vicissitudes. I’m still unable to distinguish between grape varieties through its tasting, and I’ll leave that to the ones who know how to do it. But I take special pleasure in savouring the sensations that comes with it. Just like music wine is more than the grape variety, the vintage year, or the oenologist. It’s about the moment, the accompanying dish, the ones present, or those who are absent.

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