Frapé Barro de Bisalhães

Sempre admirei as peças de barro de Bisalhães: Barro negro, um tanto ou quanto tosco, poroso. Peças lindas na sua simplicidade. Preciosas e complexas por todo o trabalho duro, sabedoria e técnica que requerem.

Posso contar-vos a história que já conhecem, uma história tantas vezes contada:

A história da arte popular e dos seus autores, que ficam para trás nesta marcha da cultura massificada, da tecnologia, do avanço e da modernidade. Podemos falar sobre a importância da arte popular, que integra as artes e os ofícios e de como tudo isto é de extrema importância para a diferenciação cultural num mundo cada vez mais globalizado e uniformizado. Podemos falar da urgência em manter e acentuar as especificidades regionais.
Posso contar que eram muitos os oleiros que faziam desta arte a sua vida e sustento. Antes, pelo menos desde o século XVI, eram muitos, talvez centenas, hoje são cerca de 6 os que se dedicam à produção destes artefactos (do latim arte factu-, «feito com arte»)
Podemos falar sobre o valor de tudo isto, mas o que importa é a acção.

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Verão em Vila Real: entre o Douro e o Alvão

by Inga F. Photography: Inga Freitas Photography

Que seca! Dias chatos, longe da praia. Verão quer praia. Mas nós, por aqui, queremos ir dar um mergulho nas cascatas de água transparente e fresquinha. Queremos dar um passeio até lá, passar pela floresta, pedras e pedregulhos. Sentir o cheiro da terra seca e da hortelã pertinho dos riachos.  Querido Alvão! AlvãoAlvãoAlvãoAlvão Continuar a ler

Casa Jorge, o Malcriado

by Inga F
Mal Criado

Fotografia: Inga Freitas Photography

O Malcriado faz as melhores pataniscas do MUNDO. (sim, eu sei que pataniscas é só em Portugal, mas é mais uma razão para dizer que são as melhores do MUNDO).

Não me venham com a conversa de que as vossas avós é que as sabiam fazê-las. Ninguém cozinha como a tua avó — é um facto! Mas a vossa avó é a vossa avó e o Malcriado é o Malcriado. E antes de porem as vossas mãozinhas no fogo pelas vossas queridas avós (eu também tenho umas avós muito fofinhas e que cozinham como ninguém) passem pelo restaurante Malcriado.

Na verdade o restaurante chama-se Casa Jorge. Fica em Mateus, Vila Real. Quem for visitar a Casa de Mateus  (mais conhecida como Palácio de Mateus) e não passar por lá, estará a cometer um grande erro. Sim, os jardins da Casa de Mateus são lindíssimos, mas sempre que lá vou, enquanto passeio pelo túnel de cedros e penso naquelas pataniscas tão bem confeccionadas fico com água na boca. Falam-me do Nicolau Nasoni, mas eu já estou a pensar em pedir as pataniscas com batata frita às rodelas temperadas com vinagre (uma sugestão minha). Uma salada fresquinha a acompanhar, com tomate caseiro; o vinho branco da casa que vem sempre à temperatura ideal.  Falam-me do Morgado de Mateus e os seus feitos no Brasil e como arrecadou uma grande fortuna, mas eu questiono-me: quem será a pessoa que cozinha aquelas delícias? De certeza que é uma senhora, e esta senhora é quem deveria fazer fortunas por ter a arte de saber cozinhar: gordos pedaços de bacalhau no ponto, nem salgado nem insosso, sempre acabados de fazer, quentinhos!

A Casa Jorge tem mais iguarias: dizem que o salpicão em vinha d’alhos é excelente. A mousse de chocolate surpreendeu-me!

Tem diárias, mas está sempre aberto à hora do lanche. A última vez que lá fui foi num preguiçoso domingo.

Este espaço é um restaurante, mas gosto mais de pensar que estou numa tasquinha bem cuidada. Parece que volto aos anos 90, quando nos perdíamos por uma vila qualquer aqui no norte.

Coordenadas: Rua Raia 5000 285 VILA REAL
Distrito: Vila Real
Concelho: Vila Real
Freguesia: Mateus
Telefone: 259322879

Santa Fartura!

Estamos em época de Santos.

Para o meu irmão é a época da Santa Fartura, Santo Churro, Santo Algodão Doce!

Photography Inga F.

D. Sebastião: dá cá um balão para eu brincar!

santos-populares

eCollage by Inga F.

by Inga F.

Na noite de Santo António fui dar uma volta pela avenida e ver as marchas populares com o meu irmão.

Ele aborreceu-se em dois segundos e quis vir embora. Tinha trazido um skate e achou mais interessante ficar a equilibrar-se naquela tábua com rodas durante uma hora, mesmo que isso lhe custasse uns quantos arranhões. Eu entendi e decidi não o convencer a ficar e “ver mais um bocadinho”. Mas antes de irmos, reparei nas caras das pessoas que compunham o grupo que marchava — eram na sua maioria jovens. Jovens que pareciam tristes, ou inibidos. Sei que não posso generalizar, e que talvez aquele grupo que passava ali, naquele preciso momento, fosse o único que se estivesse a sentir assim. Depois reparei nas restantes pessoas que assistiam — ninguém acompanhava as canções ou batia palmas, pior que isso: não havia emoção e sorrisos alegres. Aquela marcha de cor e brilho era mais uma coisa que se atravessava aos olhos daquela gente. Aquela gente também era eu.

Pensei: Os portugueses andam tristes! Cansados!

Hoje é noite de São João e estou à espera de encontrar este menino que a esta hora já deveria ser homem. Que surja o D. Sebastião no meio do nevoeiro da sardinhada! Pelo menos esta noite! Bom São João!