D. Sebastião: dá cá um balão para eu brincar!

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eCollage by Inga F.

by Inga F.

Na noite de Santo António fui dar uma volta pela avenida e ver as marchas populares com o meu irmão.

Ele aborreceu-se em dois segundos e quis vir embora. Tinha trazido um skate e achou mais interessante ficar a equilibrar-se naquela tábua com rodas durante uma hora, mesmo que isso lhe custasse uns quantos arranhões. Eu entendi e decidi não o convencer a ficar e “ver mais um bocadinho”. Mas antes de irmos, reparei nas caras das pessoas que compunham o grupo que marchava — eram na sua maioria jovens. Jovens que pareciam tristes, ou inibidos. Sei que não posso generalizar, e que talvez aquele grupo que passava ali, naquele preciso momento, fosse o único que se estivesse a sentir assim. Depois reparei nas restantes pessoas que assistiam — ninguém acompanhava as canções ou batia palmas, pior que isso: não havia emoção e sorrisos alegres. Aquela marcha de cor e brilho era mais uma coisa que se atravessava aos olhos daquela gente. Aquela gente também era eu.

Pensei: Os portugueses andam tristes! Cansados!

Hoje é noite de São João e estou à espera de encontrar este menino que a esta hora já deveria ser homem. Que surja o D. Sebastião no meio do nevoeiro da sardinhada! Pelo menos esta noite! Bom São João!

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